As Quatro Estações

A Masque for the Four Seasons, por Walter Crane (1905-1909)

A Masque for the Four Seasons, por Walter Crane (1905-1909)

I
Verão

Os cumes tão ferozes, vis e fátuos
De início cobrem todo céu minguante
Elevam grandes risos, tais amantes
Em mares sentem viço deste árduo

Haver que é o tempo qual referto
Por só sazão que tanto vasta e loura
De pouco a pouco como erva moura
Assim sedando poros que in cobertos

Expostos sentem mui furor do sol
Que bruto luze farto — é farol
Cegando os Egos de cernes muito dúbios

Porém, natura tece, sábia, ascende
Os ciclos do imo nosso, mui transcende,
Ensina assim honrar vitais conúbios.

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II
Outono

Acima o cálido astro dorme calmo
Rajadas frias vêm de longes mares
Em noites quais folhagens aos ares
Em cores vivas dançam longos salmos

Mas da alma, dizem, este é o alvor
O ciclo pesa tão real no ser
Declina em seu existir assim por ver
Si próprio, vivo, frente a tal horror

Nascer morrer, sem dó, acaso obscuro
Se mostra, fere, erguendo um alto muro
De intensos sãos mistérios como orvalho

O inferno e céus se cruzam frios, cálidos
E as almas bradam, mudas, caos árido
Sentir-se símil aos nus carvalhos.

III
Inverno

Refulge inóspito ao níveo intátil
Neblina conta mil imagens dantes
Se imerge nela cada ser pensante
Sozinho fica todo cerne umbrátil

Nas noites vês escuros céus a céus
E bem mais breu do que isso, é delírio,
Assim alastra a vil questão-martírio
Inverno dentro ou fora? Tão cruel…

Vazio traz o vento rude e amargo
Sabor abismo infindo mau letargo
Expõe num vivo espelho o frágil Ente

E mesmo sob o tempo tão hediondo
Algumas sós clareiras pouco a pouco
Reluzem terras p’ra evocar virentes.

IV
Primavera

Um pássaro ao voo em unos sons
Desperta flores às verdosas copas
Assim exala eflúvio destas rosas
Trazendo ânimo aos mil frissons

Nas ruas há, de infantes, uns triciclos
Botões afloram, vivo entarde(ser)
Se outrora fora denso, renas(ser)
Vital se faz igual os tempos-ciclos

Louváveis idos-vindos, mui mais flores
Esp’rança doce, fé além das dores
Quieto anseio, sente assim, sereno;

Se vir o novo, neste tenro átimo,
Voltand’o sol, saber-se-á, que óptimo!
A dádiva ao ser, poder… ameno.

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Altum Lyra, PoesiaOanna SeltenComentário