Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald — Uma Sutil Percepção

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Antes de tudo devo dizer que foi um prazer assistir à pré-estréia de um filme tão importante quanto este e afirmo que não revelarei nada do enredo nesta pequena resenha. Bem, vamos lá, nunca tive ávido vínculo com os livros do Harry Potter, tampouco com os filmes e ainda, sim, ainda não vi o Animais Fantásticos e Onde Habitam. Pois bem, uma estranha no ninho, eu estava lá em meio à imprensa e muitos fãs e, embora isso soe ruim, na verdade, foi uma incrível experiência por duas razões.

A primeira delas é: Eu não tinha nenhuma expectativa. Como uma não-fã dos bruxos, assisti ao filme sem intensões, sem comparações, sem esperanças e gostei muito do que vi. Nesse sentido, foi uma experiência gratificante, fiquei fascinada por Newt e seus animais, é de uma sensibilidade e poder que me atraem e foi por isso que, logo no fim da sessão, eu decidi assistir aos filmes ainda não vistos e ler os livros ainda não lidos, por quê? Bem, porque eu percebi que pode haver coisas muito interessantes neste universo.

A segunda razão é: Eu questionei a história do filme. Sem conhecimento profundo, vislumbrei em Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald uma ausência, um vazio; como se alguma coisa ali no meio estivesse faltando. Pensei: “Deve ser porque não vi o filme anterior”, mas então meu companheiro, que conhece a saga Harry Potter e foi comigo na pré-estréia, disse-me que, na verdade, o filme estava mesmo numa pegada meio Harry Potter. E essa “pegada” acabou deixando um vazio na história de Animais Fantásticos; pois afinal, onde estão os Animais Fantásticos? Eles não atuaram como protagonistas ali em Os Crimes de Grindelwald, só vilões e antigos segredos que tomaram conta da tela. Será que estou errada em pensar que o filme deveria ser sobre animais fantásticos? Pensei que, talvez, eu estivesse sendo mais poser do que imaginei ser, então, perguntei ao meu parceiro: “Tem livro do Animais Fantásticos?” e ele disse que não, não como o de Harry Potter, com história a ser desvendada.

Fiquei frustrada com isso, pois eu queria saber mais sobre Newt e seus animais fantásticos; eu queria compreender o universo da magia que desvelou-se pouco a mim neste filme. Estou decidida a assistir ao filme anterior ainda nessa semana e isso me faz pensar, será que o filme anterior também será meio Harry Potter? Porque, se quero ver algo como Harry Potter, então, verei Harry Potter e não o seu similar. No mundo dos magos não pode haver histórias diferentes? Vilões diferentes? Intensidades ímpares? Bem, talvez eu esteja exigindo demais da escritora-roteirista, logo eu que sei tão pouco do assunto.

Mas no geral, toda a ambientação do filme estava maravilhosa, todos os personagens muito bem interpretados pelos atores, todas as histórias sobre os personagens diferentes que se fizeram fugazmente presente na trama foram bem instigantes (tirando o clichê), me prenderam do começo ao fim e deixei o cinema sentindo o gosto de “quero mais”. Uma pena o filme não ter sido explorado por outro viés, eis o que tanto senti ausente: A surpresa, a excentricidade que caracteriza os longas que vão além do óbvio.

Talvez não era para ser uma história independente, talvez a ideia era justamente trazer, com o roteiro de Animais Fantásticos, mais compreensão sobre Harry Potter, só que com os animais como pseudo foco central, só para não ficar tão parecido. Nesse caso, deveria ficar mais claro como, por exemplo, mudando o nomes do filme para Harry Potter e As Sombras D’outrora ou algo assim. De qualquer forma, se o plano era revelar mais sobre o universo Harry, então deu certo. O filme revela muito sobre e, quando você for assistir, não espere ver Animais Fantásticos, porque sinto que foram colocados neste filme apenas para ficar bonito. E ficou muito bonito. Será que Rowling não gostaria de escrever mais sobre eles? Talvez uma história do mundo dos Tronquilhos, seus vínculos com os bruxos, suas emoções, suas próprias realidades? Não por taxionomia, mas por vivência? Trazer este universo que encantou Newt e certamente pode nos encantar se for ainda mais aprofundado. Sinceramente, espero muito que isso aconteça.

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