À Escrita, Eterna Inestimável

Estás na solidão que me toma
Como sombra de proteção
Envolves-me em Teu coração
A seiva de Tuas letras de fôrma;

Lembro-me da infância vazia
Das incógnitas e dos medos
E o Teu tão constante apresso
Por toda minh’essência distinta;

Esteves lá e estás agora, aqui,
Imergindo-me, desd’então, em Ti
Sendo meus olhos e intuição;

Tantos os que abateram este amor
Na vil inconsciência, farto agror,
Transmutada em incentivação;

Insensível são todos estes alguéns,
Só em Teu leito há paz, Ó Escrita,
O dossel feito de ternura em sina
Uma realidade, desta, mui além;

Já não há palavras d’estes ‘quem’
Que possam abalar o meu elo
Contigo em romance ou verso
Contigo e’meu imo e dele aquém;

És a luz tenra do entardecer
Por Ti nutro vida em meu ser
E sinto cá, no peito, a Tua flama

Quando não estás às minhas mãos
Encarcero-me na consternação
Onde só o tormento me acama;

Por isso a escrever-Te me inclino
Tu que és meu uno alicerce-abrigo
Tu que és a una voz que me chama.