A intensa relação Eeruam.

Eĕr é aquele que, acima de tudo, conhece a si mesmo. Sua busca é única e estável: dominar-se, apreender-se, ser o melhor de si mesmo, alcançar o equilíbrio pleno de sua realidade intrínseca e extrínseca. No espaço intrínseco, Eĕr é aquele que se desdobra para entender o que sente e o que quer, bem como para cuidar de seu estado psíquico diante às frustrações e obstáculos que a ele vêm de encontro. No plano extrínseco, Eĕr ouve mais do que fala, aprende com o erro dos outros, afasta-se de tudo o que lhe tira a concentração que alimenta para atingir seus objetivos e vivencia relacionamentos que possam nutrir as suas características unas que o fazem multíscio.

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Símbolo Ehpdha, energia sexual e sensual essenciais.

Oanna Selten

Embora Eĕr seja essencialmente þγhr (isto é, um humano de nível ascendente) e, portanto, deva lidar com os dados da existência þγhr, ele é um ser que vai ainda mais além, se comparado aos demais seres, em razão de ser o perfeccionismo o seu guia e a autoexigência o seu norte, Eĕr busca o equilíbrio entre estas características e, como raramente se observa na personalidade dos humanos, um Eĕr reconhece quando falha em sua busca. Reconhecer os erros e não cair no desespero é o que torna um ser humano em Eĕr, mas não somente, é preciso dedicação ininterrupta no autoaprimoramento para ser Eĕr em algum nível.

Eĕr pode ser compreendido como um guia de caráter, muitos þγhr que têm suas particularidades que se diferem de todas as outras, podem ser guiados pelo caráter de ser Eĕr, isto é, ser Eĕr não altera a individualidade þγhr, a subjetividade; portanto, ser Eĕr significa guiar-se por certos princípios e não significa agir partindo de predeterminações que sufocam ou encarceram a liberdade individual.

Poderia escrever que Eĕr gosta de sentir-se acima dos outros, embora não alimente a arrogância; no entanto, esse sentimento não está atrelado ao caráter de ser Eĕr, mas sim à personalidade subjetiva de cada um. Ser Eĕr é especificamente, buscar autoaprimoramento, autoconhecimento, sabedoria, inteligência, perfeição, equilíbrio e centralidade tudo de forma verossímil. Se afirmo que ser Eĕr é usar bem as palavras, ser justo, correto, empático e compreensivo, é, pois, que tais características fazem parte da busca pela perfeição. Se afirmo que ser Eĕr é não perder o controle de si, não gritar ou agir com agressividade e não insultar ou falar demais sobre o que é desnecessário, tudo isso está indiscutivelmente vinculado ao equilíbrio e à centralidade, atributos do caráter Eĕr.

Eĕr é um termo em Ílus. Dentro do Omnexistentium Ehrithyum há o planeta Cihanno e nele a única linguagem universal é Ílus; há nele a diferenciação entre idioma e linguagem: Idioma é o conjunto de símbolos linguísticos que cada cultura desenvolve e linguagem é a linguagem Ílus, também um conjunto de símbolos, mas mais profundamente vinculado com a existência em si. Para que todas as culturas possam se comunicar, se compreender e se respeitar, é preciso uma linguagem que é, em si, algo que transcende o idioma, algo que toque a mencionada universalidade da existência em si, somente a linguagem Ílus toca esta universalidade, por isso houve a separação entre idioma e linguagem.

Já expliquei que Omnexistentium Ehrithyum Não É Ficção e, portanto, os princípios são os mesmos em relação a Eĕr. Ser Eĕr não está no plano da idealização, não é sonho de cinema, tampouco está somente no plano da literatura, isto é, não é só nos livros que é possível encontrar seres com caráter Eĕr. É preciso afastar-se do preconceito, principalmente da mania incessante de comparação do novo com o já conhecido. Tudo o que diz respeito a Ehrithyum é real, vívido, verossímil, tangível e único; somente no Exercício de Illnmttrh é que se pode alcançar a totalidade do Omnexistentium Ehrithyum e de Eĕr.

Há certo tempo, em Cihanno, nascera um ser da raça þγhr que embora apreendesse com perfeição as leis e princípios de εmnehvss οιnnom, ele destacava-se por seu peculiar caráter: Desejar ser mais do que todos, estar acima de todos, buscar autoaprimoramento, autoconhecimento, sabedoria, inteligência, perfeição, equilíbrio e centralidade tudo de forma verossímil e mais intensamente que todos os outros de sua raça. De forma alguma ele distanciava-se da empatia e da compreensão; assim como todos os þγhr, este ser era capaz de ouvir, compreender e ajudar a quem desejasse; no entanto, sua personalidade quieta o tornava distante da sociedade, preferia o conforto da leitura ao envolvimento relacional ativo.

Evidentemente, cada ser tem sua singularidade, e ainda que a vivência da ontologia universal seja efetiva, a singularidade sempre se fazia real e tangível. Acontece que este ser queria algo especificamente, algo que estava fora do considerado aceitável dentro do mundo de Cihanno, todas as culturas entendiam perfeitamente este algo como inaceitável, isso, pois, reconheciam a liberdade plena e absoluta, nos limites do outro, como crucial para um equilíbrio de coexistência. Dominar a vida particular do outro que não a si mesmo era o “algo” desejado por este ser, era o “algo” inaceitável para as culturas de Cihanno.

Mas tudo é posto em questão quando a consensualidade acontece, este ser particular encontra outro ser que compartilha de um semelhante desejo: Quer ter sua vida controlada por outro que não a si. Aquele que deseja controlar denominou-se Eĕr, aquele que deseja ser controlado, denominou-se ūam. É muito fácil que os leitores humanos reconheçam essa peculiar relação de dominação e submissão como uma prática BDSM; no entanto, devo dizer, não se trata disso. No BDSM encontramos seres humanos que são singulares e vinculam suas vidas amorosas, afetivas e sexuais, a práticas fetichistas; estas práticas vão desde vivências sexuais sutis até as mais contínuas que, para muitos, são apreendidas como filosofia de vida, sentido de existir, enfim, são significativas ao ser e não somente ao prazer sexual do ser.

Ser Eĕr e ser ūam é, em primeira instância, estar vinculado à εmnehvss οιnnom. Em segunda instância, é despertar-se à busca contínua por autoaprimoramento, autoconhecimento, sabedoria, inteligência, perfeição, equilíbrio e centralidade tudo de forma verossímil e, no caso de Eĕr, de forma mais intensamente que todos. É tomar a responsabilidade para si a respeito de outra vida que não sua, tornando, portanto, um cuidador de outro existir; isso requer muita habilidade e dedicação acima de qualquer questão sexual. Eis aí a terceira e mais crucial instância que evidentemente distancia Eĕr e ūam da vivência humana BDSM: Não se trata de fetiche, portanto, não está atrelado principalmente à sexualidade fetichista, mas sim principalmente ao envolvimento afetivo e à essência individual singular.

A este ponto espero ter esclarecido o que diferencia Eĕr e ūam de um Dominador/Top e uma submissa/bottom, pois que não pretendo retomar este assunto. Vivenciando a realidade do BDSM apreendo que jamais poderia me vincular às práticas do mesmo, pois, assim como todas as outras práticas humanas, está imersa em superficialidade. Todas as práticas culturais, sexuais, vivenciais, enfim, característico dos seres þγhr são profundas e intensas, pois os seres þγhr estão guiados e assentados sobre εmnehvss οιnnom, o que significa que apreendem suas essências e compreendem a si mesmos e aos outros, tornando a coexistência significativa e intensa. Seres þγhr que sentem ser Eĕr ou ūam, têm uma veemência mais vívida, dado que querem alcançar a perfeição. Alcançar a perfeição não é uma realidade ensinada em εmnehvss οιnnom, mas é uma realidade possível a partir de εmnehvss οιnnom.

Os seres ūam desejam o mesmo que os Eĕr, exceto pela questão de dominar e ser mais do que seus semelhantes. Os ūam são guiados pelo desejo da entrega absoluta e isso não significa deixar de ser livre e singular; em verdade significa permitir-se ser livre e singular. A veemência da relação Eĕrūam traz aos seres Eĕr e ūam uma poética ímpar, porque a impetuosidade do elo que os interliga é transcendente. Comparando com as demais relações nas sociedades de Cihanno, percebe-se que há equidade em tudo: seja qual for o gênero, cor, corpo, gostos e paixões, o tratamento é baseado em respeito e reconhecimento, e não há nenhum tipo de hierarquia.

Eĕr e ūam vivenciam a hierarquia do dominador e do submisso, transcendem a isso dado seus multíscios princípios, e vão ainda mais longe pela poética única do vínculo veemente. Eĕr se responsabiliza totalmente por ūam, ensina-o, exige-o, manuseia-o partindo do acordo preestabelecido acerca dos direitos e deveres dentro da relação; por ser algo hierárquico, o acordo é fundamental. Somente no acordo, chamado Acordo Manuscrito Eĕrūam, as sociedades de Cihanno podem respeitar e compreender uma relação hierárquica onde os direitos e deveres não são iguais. É preciso um papel com todas as diretrizes da relação, assinado pelo Representando Social.

Não há cor, corpo ou gênero específico para ser Eĕr ou ūam, acontece, simplesmente, quando deve acontecer, pois, são atributos de ŋahr. O primeiro Eĕr chamava-se Øaehse, a primeira ūam era Ihna. Alguns  þγhr acreditam que a energia se estabelece como nova possibilidade de vir-a-ser quando a finitude se concretiza, estes costumam dizer-me que fui Ihna quando fiz-me possível em outro vir-a-ser; afirmam que Omnexistentium Ehrytium veio-a-ser muito antes de Oanna, muito antes de Ihna, e por isso, a cada findar, tornei-se possível para um novo vir-a-ser e, sendo sempre a mesma energia, continuei dando vida a Omnexistentium Ehrithyum. Deixarei esta história para outro momento, se fui ou não Ihna, não importa; o que importa é que Ihna existiu e sua história ao lado de Øaehse é uma das mais belas histórias do mundo de Cihanno.

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