Álcool hialino do desejo.

Interpelo-me s'este desvario tomou
De meu corpo ao meu espírito rés
E est'algidez em versos quaisquer
Fez-se a ruína que me condenou;

O tangível real houvera n'outrora
Em que te sorri entrevendo cenários
Solutos pela lonjura como retratos
Olvidados pela péssima memória;

Obscuros no anfêmero caos, porquanto
D'um 'porventura', súbito, insano
Trouxe à língua o mais ácido sal

Vedo-me em mim, o mais profano,
Espero-te n'uma gruta de pranto
Tingida pela escuridão irracional.