Análise do filme Vanilla Sky (2002)

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A superficialidade do mundo que busca por fórmulas mágicas e rápidas para acabar com o sofrimento ao invés de enfrentar as questões complexas da existência e aprender a lidar com elas - é disso que esse filme se trata.
— Oanna Selten

Este filme é do ano de 2002 cujo diretor é Cameron Crowe. No elenco principal, estão: Tom Cruise (como David Aames), Penélope Cruz (como Sofia Serrano), Cameron Diaz (como Julianna Gianni), Kurt Russell (como Dr. Curtis), Jason Lee (como Brian Shelby).

O Projeto Qesmnesih: Trata-se de um projeto de resenhas gratuitas (Resenha-me) cujo objetivo é ajudar escritores iniciantes a divulgarem sua escrita, bem como alcançarem seu público alvo. Além disso, Qesmnesih também é um projeto de incentivo à cultura a partir de análises de livros (Dentrelinhas) e filmes (Através da 7ª Arte) envolvidos à filosofia existencial. Por último, Qesmnesih tem como essência a busca pela arte de escrever em sua plenitude profunda e veemente, por isso o projeto também se trata de um desafio àqueles que desejam apreender o valor da arte de escrever (O Abysmo Da Escrita). Conheça mais o projeto clicando aqui!

Sinopse (AdoroCinema): Em Nova York são narrados em flashback fatos angustiantes da vida de David Aames (Tom Cruise), um jovem empresário que é dono de um império editorial. David tem sua vida modificada quando conhece Sofia Serrano (Penélope Cruz), uma bela jovem por quem se apaixona .Tal relacionamento desperta ciúmes em Julie Gianni (Cameron Diaz), uma "amizade colorida" de Davis, que quer muito mais que mero envolvimento sexual com ele. Um dia, após sair da casa de Sofia, David encontra Julie, que usando o pretexto de querer conversar com ele o convence a entrar no carro dela. Em um ímpeto de loucura, e cega por se sentir preterida, ela lança o carro por cima de um viaduto. Ela não resiste ao impacto e morre. David sobrevive, mas fica com o rosto bem desfigurado e entra em coma, ficando neste estado por três semanas. Ao se ver David fica traumatizado e oferece qualquer quantia para reconstruírem seu rosto. Repentinamente realidade e fantasia se confundem de forma assustadora.

Análise do filme Vanilla Sky

Não escolhi este filme, mas surpreendi-me ao assisti-lo. Desta vez não vou falar do enredo, farei mais uma análise curta com indagações que o filme me suscitou.

Cada detalhe da constituição do filme é simplesmente magnífico. Ele explora os pormenores da mente humana e coloca em discussão, silenciosamente, as escolhas dos indivíduos frente a uma dificuldade extrema. Eu posso relacionar muitas coisas de psicologia e filosofia neste filme, mas desta vez vou me atentar a um único ponto: a capacidade da mente de nos alertar sobre o que está errado conosco.

Nossa mente é impressionante, é como se tivesse vida própria, é como se fosse uma divindade a qual jamais seria possível compreender. Cameron Crowe foi capaz de fazer acontecer um filme que delineia exatamente o poder desta mente quase nume. E não há dúvidas que os sonhos do personagem principal, as intrigas entre todos os personagens, as constantes repetições de aspectos que, porventura, consideraríamos insignificantes, tornam a trama ainda mais espetacular.

O que me chamou atenção é a frase que deveras se repete ao longo das cenas: Open Your Eyes. Do início ao fim da história. Abra seus olhos para quê? Para si mesmo, para sua própria instância mental, para seus sonhos, para sua realidade. E quem é capaz de abrir os olhos para o universo simbólico e detalhado da mente humana? Quem consegue distinguir a realidade do sonho, não apenas daquele sonho que emerge quando se está em Rapid Eye Movement, mas também aquele que faz parte da idealização; sonhar acordado.

E quando nós mergulhamos tão profundamente no sonho enquanto desejo idealizado que a realidade se torna um fardo e nós nos vemos incapazes de lidar com as "verdades" de sua constituição? Vanilla Sky joga no ar essa indagação e ainda acrescenta: a solução para o desespero é a morte? É o sonho lúcido? 

A superficialidade do mundo que busca por fórmulas mágicas e rápidas para acabar com o sofrimento ao invés de enfrentar as questões complexas da existência e aprender a lidar com elas - é disso que esse filme se trata.

Outro detalhe de suma importância é a trilha sonora. É uma trilha exagerada e eu não gostei, no entanto, depois de ter uma conversa com meu namorado a respeito, ele comentou que dá para entender o porquê da trilha sonora ser exagerada, basta prestar atenção na promessa que E.L. faz para as pessoas. Quando me dei conta disso, percebi que, definitivamente, o filme é extraordinário!

E não é extraordinário só por fazer emergir inúmeras perguntas, mas também por ser um filme existencial, visceral, intenso e profundo. Depois das duas horas de filme, senti minha cabeça pulsar de tanto que eu pensei para entender a trama e no fim restou-se apenas a frase: Open Your Eyes; e a pergunta: será que estou de olhos abertos?