Cárcere-poema

Mal sabes que te abriguei n'um poema
Tua sombra noir traçada em silêncio
Manuscrito de tu'alma num verso tenro
A sílaba fixada como um emblema;

Busquei o indizível no imo de teu ser
Fascínio pela veracidade de teu rosto
O beijo em devaneio fingiu o gosto
O gozo em meus lábios de anoitecer.

No caos da perdição do que só sei sentir
O azul-escuro e a prata busquei por fim
Contudo decaí só na estrofe incolor;

O amargo do receio assim veio em fervor
E eu sucumbi, célere, ao quieto pavor
Pois vi-te eterno somente e'meu redigir.