Classes de uso da Poesia na Escrita

 Foto de  Patrick Fore  em  Unsplash

Poemas são considerados poesias em versos… ou não… se não for em verso, então é Poema Em Prosa, se for em versos, então, é só poema? Bem, na verdade, as definições de Poema, Poema Em Prosa, Poesia e Prosa-Poética são muito discutidos e pouco compreendidos; ora um é mais extenso que outro, ora o outro pode também ser mais extenso como o outro. Neste meio confuso, para organizar minha Escrita e compreendê-la, defini dois tipos de classes de uso da Poesia na minha Escrita: Poética Assente e Poética Arfante; e dois tipos de criação literária poética: Poesih (poesí) e Poehsi (poêsi).

Poética Assente: Caracteriza-se pela poesia escrita em rimas e métricas em versos visando aprazível sonância e perfeição estética. Seu objetivo é transferir um sentimento ou ideia com maestria nos moldes metódicos da obra, isso significa o uso intenso de palavras eruditas e pouco-usuais, bem como o uso de apóstrofo para cingir contrações vocabulares permitidas ou não.

Exemplo de obra de classe Poética Assente:

Se é noite, leia-me

Se é noite, leia-me
Jamais o faça à luz do dia,
Pois que del’a melancolia
É vital p’r’assimilar-me;

Ler mais

Poética Arfante: Caracteriza-se pela poesia escrita livre, sem rimas e nem sempre em versos, cujo objetivo é disseminar um sentimento (ou ideia) de forma bela, intensa e profunda; não há nesta classe a preocupação com a estética metódica ou com a sonoridade, mas sim com o quanto o sentimento (ou ideia) poetizado cativa e encanta.

Exemplo de obra de classe Poética Arfante:

Sou

Sou do alvor a tenuidade
E o entardecer de doces cores;
Sou o frescor do inverno tropical,

Ler mais

Ambas as classes visam disseminar sentimentos verossímeis do ser humano, no entanto, de formas diferentes. Se a poética exprime o mais visceral do cerne humano que é, também, um raro dueto entre razão e emoção; para a Poética Assente, somente uma escrita perfeita na sonância e na construção poderia trazer às palavras esta raridade; já para a Poética Arfante, somente a escrita leve, por vezes súbita, que encanta, cativa e emociona a qualquer ser humano, é que poderia.

Ambas as classes estão corretas; por vezes é preciso trazer à tona as mais sublimes palavras para gerar o mais excelso som numa poesia que exala sentimentos inteiramente humanos, únicos na natureza até agora; no entanto, em muitos momentos é preciso desvelar-se à escrita do modo que for possível, com as palavras que estão ao alcance; sem rima e sem métrica, com o singelo objetivo de clamar: “Eu sou, eu sinto”.

Os tipos de criação literária estão em sincronia com as classes:

Poesih: São todas as criações literárias poéticas metrificadas, ritmadas, feitas em versos e de estética impecável. Se a obra contém estas quatro características, então é uma Poesih.

Poehsi: São todas as criações literárias poéticas não metrificadas, nem sempre ritmadas e nem sempre feitas em versos. Para ser Poehsi basta ser Poesia sem métrica e sem preocupação com estética e som; pode ser em verso ou não, extenso ou não. Pode ter rimas, mas esta não é obrigatória e nem mesmo é ponto principal.

Tanto em Poehsi quanto em Poesih pode haver o uso de diálogos, a diferença se dá exclusivamente nas métricas e na composição erudita de Poesih e informal de Poehsi. Trata-se do mesmo significado da Poética Assente e da Poética Arfante. Quem escreve em Poética Arfante, faz poehsi. Quem escreve em Poética Assente, faz poesih.

 
Oanna SeltenComentário