Febre Dos Abissais Silêncios

 Zdzisław Beksiński

Zdzisław Beksiński

Esta febre
Este instante delirante
Em que tento pensar
E imaginar um momento
Para dentro de tudo
Que tem equilibro
Me apoiar para não desabar
Em cima de muros
De vidro

Febre a fremir toda a tez
Que outrora, tão vívida,
Rosada, aprazível, lívida
Era digna d'embriaguez


Febre faustosa
Da fascinante fissura
Que traz rubra sêmola
De amarga rupestre
Assomada feitura

Que assim, um tanto turva
Cruza-me os lábios e o'lhar
E me faço vazio a perpetuar
As curvas de su'angústia


Angustiado tremo
Dentro das naus
De um naufragado
Barco caindo célere
Entre as fugas das
Esfinges de minha
Entorpecente febre

Febril, ó, Febril como flúmen
Fumegante dos abismos vis
Profundos rubros e, em si,
Escuridão de uno lúmen


Extrusão decrépita
Ébrio alúmen gasto
Febril recinto disforme
Febril istmo perene

Sequer sei o que me resta
Se já não sou o próprio ardor
Que me acomete em torpor
Febril d'imortalidade funesta


As delirantes festas
Se encarregam das frestas
Que cortam-me pulmões
E coração e alma
Em um frenesi decantado
Pelas minhas mortalhas

Sucumbo - a víscera s'espalha
Longitudinal n'este caixão
D'onde ouço, fraco, um alcorão
Sint'os cárceres da fornalha

Últimos instantes
Estóicos estampidos
De um final módico
Neste átrio epidêmico
De pêndulos mórbidos

A totalidade d'um suplício
Um Início, um Meio, um Fim
Sonância agônica feita de marfim
O Meio, o Fim, um novo Início.

Arremedos para um Ciclo
Espargindo entre Míticos
Louvores Rítmicos
Por sobre as ondas
Que rompem as esparsas
Esperas de esperanças

Firmamentos que acima não estão
Minha febre retorna intensa
Mais que a mente humana pensa
Além de tod'a contradição


Colho das frutas doentes
De campos em enchentes
De águas ímpares tementes
Ao que febril me torno
Em rasgos onipresentes

Arvoredo a refulgir incide
Graça de todo jazer
Há vida como se vê
Em espectros indizíveis


Espectros esperneantes
Sobre as vestes rutilantes
De muitas vestes rasgantes
Que temo queimar
Entre meus cacos.

Oanna Selten
& Inominável Ser
NESTA FEBRE
EM SILÊNCIO
AOS PEDAÇOS