Das agonias de amar
 Foto de  zelle duda  em  Unsplash

Foto de zelle duda em Unsplash

Debaixo dessa densa nuvem cinza carregada de aflição, sobre as ínfimas pessoas aquém dos guarda-chuvas. Eu estou.

Sacrifico-me por nós, pois que já não me protejo das lágrimas d’atmosfera; e nem das minhas. Se não caibo no teu peito, deitada, adormecida, então que me inunde a água majestosa crepitante no asfalto frio, e que me liquefaça de uma vez.

Em todo o silêncio jaz a tua voz que sinto na pele, tocando-me devagar pela eternidade. E são meus olhos os que ouvem a tua voz enquanto a distância é uma ponte semiquebrada entre cinco mil precipícios.

Tudo porque colidimos.

E das agonias de amar, a redenção forçada é a única qual não me desvio. Deixo que acerte-me no órgão vital, deixo que o veneno cinja toda seiva extinguindo orgulho por orgulho.

Para o teu sol reluzir em minha noite outra vez; e todo o teu esforço não ser em vão. Pois que das agonias de amar, o perdão só tem bruto-valor quando transcende o dizer.

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Obra publicada originalmente pela Fazia Poesia

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