Desprovida
 Foto de  Daria Nepriakhina  em  Unsplash

É tarde, há um nada no interior do mundo.
Vão largo, extenso, interminável.
Ouço o sorriso do tempo inefável
E sua veste reluz incolor em meu sepulcro;

É tarde, tão tarde que amanhece, há alvor;
No prelúdio da vida a graça é inestimável,
Seu falecer gradativo faz-se intragável
E alcança o breu da lacuna de meu sopor;

São cálidos os estigmas da chama vazia
Que crepitam n’esta lareira hialina
De minha ausente sala-de-estar

Toda incoerência emerge e terrifica
Insuportável precipício que martiriza
Bradando o que não sei vociferar.

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Obra originalmente publicada pela Fazia Poesia | Obra da Coletânea Sonetos Ausentes

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