Do Tempo à Consciência

O tempo é um só, está no plano linear. Não há passado ou futuro. O segundo deste exato momento já se tornou passado no mesmo instante em que fez-se futuro e presente. O tempo é um só, é simultâneo.

O ser humano, caracterizado pelas significações que cria para manifestar seu ser indeterminado, movimenta-se conforme a ilusão de suas criações sempre agregadas ao intersubjetivo, ao co-existir. E são ilusões não no sentido pejorativo.

Havendo, pois, um existir humano e, só por isso, dada a indissociação do ser (humano) com o mundo (o "aí" em si e nos outros), é que se pode haver um "mundo qual se pode ser"; é uma ilusão por partir de uma subjetividade abstrata, o campo da psique, a dinâmica da cinesia do "estar direcionado à", também característico do ser humano.

Sendo a realidade "vista" ou "criada" por uma subjetividade dinâmica "direcionada à", então aquilo que o ser humano chama de "realidade" trata-se apenas de uma ilusão de perspectiva.

E as perspectivas são inúmeras, na mesma proporção de subjetividades (de pessoas) que existem no mundo. Podendo mil pessoas olharem o mesmo objeto, a significação será diferente.

O ser humano vive de significações, pois tem a indeterminação em sua constituição.

A co-existência possibilita o compartilhamento, o envolvimento, a mescla de perspectivas, mas, nunca, nenhuma será completamente idêntica a alguma outra.

A singularidade é... singular.

Se algum indivíduo alcançou este ponto da leitura, afirmo ser este um texto sobre o fim do ano de 2017.

O tempo é um só, é simultâneo, é linear, é uma ilusão (por partir da, já dita, subjetividade). Significações, coisas abstratas ou materiais, sentimentos, vivências: tudo é ilusão. Ritos, tradições, fés, paixões: é ilusão.

 

N'um ponto de vista neutro, nada "existe" além de uma raça indeterminada (nós). Seres que se agregam e, por se agregarem, compartilham significações, criações e "realidades".

Se o o ciclo definido socialmente irá se renovar daqui há dois dias, e as crenças serão as mesmas ou terão sutis modificações como um longo espiral, de que serve a significação do ciclo?

Se o ser humano é indeterminado, cria tudo o que "vê", até mesmo o tempo, poderia, então, este mesmo ser, dar-se conta do quão incrível é o poder em suas mãos e, a partir disso, usá-lo ao seu favor?

Fazer aquilo que quer, criar aquilo que bem entender. Parar o tempo, atrair coisas para si, compreender o código da existência por trás da interface...

A interface.

A interface é o entretenimento e suas vertentes destrutivas que, desviam a introspecção tão precisa para a dominação dos poderes dados pela indeterminação originária, pela subjetividade criativa e significativa.

Este texto não é para todos, ou melhor, este texto é para poucos.

Quando a máscara do "conforto", da "salvação" e do "hábito" cair do rosto da suma maioria humana, o desespero será inevitável.

Aproveite a significação do co-existir, o ciclo, a renovação, a fé, a alegria, o entusiamo; aproveite tudo isso para retirar a sua máscara, conscientemente, sob a luz da clareira da compreensão; e, então, olhe no fundo dos olhos da sua constituição humana.

Você encontrará uma interrogação; e uma sede insaciável pelo (auto)conhecer. Identificará a interrogação, pois, sentirá angústia e, a sede, a partir da angústia, moverá seu ser à autenticidade.

Autenticidade é despir-se de si mesmo e buscar encontrar-se como se é: a sua própria essência.

Tudo trata-se de um escolha pura da singularidade, portanto, minhas palavras são possibilidades que cabem, ou não, dentro das escolhas individuais dos poucos leitores deste texto.

E a interpretação, a significação, também ocorrerá naturalmente por meio da raiz ímpar de cada um.

Se você for pessimista ou niilista como eu, tenderá à perguntas do tipo: "se tudo é ilusão, a essência também o é?". É preciso uma consciência até mesmo para apreender algo como uma ilusão ou não.

Somos consciência. Há "algo" que "existe", em algum plano, de alguma forma; há "algo" que é "real" e compartilhado intuitivamente. Eu chamo este algo de "consciência", ainda que o termo "consciência" seja pouco para o quanto este "algo" realmente significa.