Ego sem eco

Aspiro pel'agonia do isolamento
Deleito-me à angústia do vazio
O ausente é-me atroz e vivo
Como o pranto qual me alimento;

A mais pungente coisa-alguma
Na carne dilacerada pelo saber
É-me o mais valioso a se ter
Diante vossa vaidade-tortura;

O vosso ego é cárcere cruel
O entorpecente vestido de fel
Que ecoa infindo em meu órgão vital

Sois a sevícia mais lancinante
Pelo espelho que fazeis atroante
E o qual rezo p'ra jamais ser igual.