A Escrita Como Fundamento De Uma Consciência Humana

Iniciei a explicação d’este texto no recente vídeo que fiz para compartilhar sobre Oecihen no Facebook. Lá eu trago em resumo singelo uma verdade: Quando aprimoramos nossa Fala e nossa Escrita, alcançamos mais capacidade compreensiva e nos tornamos mais compreensíveis. É evidente que para isso há outros fatores de exímio valor como a singularidade de cada pessoa, no entanto, nós também desenvolvemos nosso Ser Singular compreendendo palavras, significados e compreendendo nós mesmos e aqueles que estão ao nosso redor.

Tudo está conectado, nossa essência humana é uma só e universal. Todos nós, desde sempre, temos a inclinação para deixar nossa marca no mundo, por isso existe a Arte. A Escrita em si é uma Arte e também um Instrumento, um Mecanismo da Racionalidade, da mente humana. Enquanto a Música, a Pintura, as Artes Cênicas, são expressões puras da Emoção e da Intuição sendo a Racionalidade um ponto menos evidente nessas artes (presente, mas menos evidente), a Escrita é o puro exercício da Racionalidade, pois mesmo quando escrevemos em Fluxo De Pensamento depositando todo a nossa emoção nas palavras, nós estamos obrigatoriamente usando nossa cognição, nossa lógica, nossa racionalidade para unir signos em sílabas, sílabas em palavras, palavras em frases e frases em parágrafos. Para que não é Racional, pois fazemos rapidamente, fazemos no calor da Emoção, isso, contudo, só acontece porque estamos acostumados a Escrever e nos expressarmos por palavras. Muitas pessoas, sem o hábito da Escrita, sentem necessitar de horas para escrever um curto texto, pois muito precisam elaborar em suas mentes para unir esses signos em uma sequência lógica.

Não importa quanta emoção depositamos na Escrita, ela é Instrumento da Racionalidade, é por ela que compreendemos o mundo. Sentir o mundo com menos racionalidade só é possível através de Música Instrumental e Meditação. E aqui eu entro n’um crucial, ou melhor, n’um vital assunto: Emoção VS Razão. Seria a Razão algo melhor que a Emoção? Ou mais Essencial que a Emoção? Seria a Emoção muito mais Autêntica que a Razão? Seria ela mais Real e mais Pura? As respostas a essas indagação são iguais: Não. A Razão e a Emoção são fundamentos de nossa constituição humana, nós não existimos tal como somos sem o funcionamento de ambas em vínculo indissociável. A Razão não pode ser “melhor” que a Emoção, pois não existe algo “melhor” quando uma totalidade funciona em conjunto, em vínculo. Ambas tem suas propriedades singulares e atuam juntas no funcionamento de nosso Ser.

Se só a Emoção fosse precisa para realizarmos toda a nossa capacidade humana, teríamos vivido pelos sons, pela música instrumental, pela fala significada pela entonação. Jamais teríamos buscado desenhar nas cavernas, nomear nossas criações, desenvolver uma linguagem. Nossa Essência é Emocional e Racional e essas instâncias funcionam em conjunto. Não há como separá-las, estimá-las em menor ou maior valor.

Por que a Escrita tem um papel fundamental em nossa Existência e nossa Consciência? Por que ela é a única que organiza a realidade singular e coexistente, e equilibra todas as nossas instâncias humanas. Quando escrevemos exercemos tudo o que somos: Colocamos nossa Racionalidade para funcionar à todo vapor, nosso corpo para expressar, nossa Emoção para se desvelar, nossa Intuição para se manifestar. Durante a Escrita pensamos, sentimos e intuímos de forma tão rápida, tão conjunta, tão completa que nenhum outro instrumento humano, nenhuma outra Arte humana pode fazer o mesmo por si só.

Se pensarmos a Fala, podemos concluir que ela também proporciona a união de todas as instâncias da mente, mas a Fala não consegue proporcionar organização. A Fala é importante, como já disse, nada em nosso Ser é maior ou menos, cada uma tem seu funcionamento; a Escrita une todas as coisas, a Fala não consegue unir a Organização, pois, tomados pela Emoção, sem um guia, não conseguimos organizar o pensamento, organizar informações, organizar a realidade. Na Escrita somos obrigados a Organizar, por ela é um guia, uma lógica de signos e significamos que nos obriga a organizar de acordo com suas regras e formas.

Deste modo, a Escrita é o único meio de alcance à Consciência. Por precisamos organizar as informações para conhecê-las mais profundamente e precisamos conhecer mais profundamente os fenômenos para que possamos ter Consciência sobre eles e é na Consciência que Compreendemos. Mas se a nossa Escrita não tem regras, não tem lógica, não tem bases, não tem coerência, não conseguimos organizar as informações e, consequentemente perdemos a Consciência e a Compreensão. Nos tornamos inconscientes, incompreensíveis e incompreendidos.

Muitos se orgulham em dizer que a Escrita é uma forma de desabafar, soltar todos os seus monstros ou todas as suas ideias perdidas no limbo do quotidiano; muitos dizem que a Escrita é uma forma de se libertar, de ser você mesmo, de mostrar ao mundo sua Essência. Mas essas pessoas se esquecem que a Escrita não é só isso, ela é muito mais poderosa do que podemos imaginar. Pois além de nos proporcionar organização e, com isso, Consciência e Compreensão, ela é uma Marca deixada no Mundo. Uma Marca que será relembrada, revivida, ressignificada; que afetará outras pessoas, outras gerações. Enquanto usamos a Escrita como um meio de nos comunicar superficialmente e de exaltar nosso ego, estamos marcando a nossa História Humana de modo errado. Podemos sim usar a Escrita para os fins subjetivos, mas somente para estes fins.

Segregação, discriminação, discussões e intrigas, insultos, violência, todas essas coisas podem ser evitadas se nos aprofundarmos em toda a potencialidade da Escrita. Organizando nossos pensamentos, nos autoconhecimento, ouvindo os nossos semelhantes e, assim, afastando coisas que são característica dos que não desenvolvem a Consciência.

Eu espero que esse texto possa gerar no leitor uma intensa vontade de praticar o que foi aqui mencionado. A prática é, de certa forma, simples, inicia-se com a vontade de conhecer e se aprofundar na Escrita, utilizando-a para organizar pensamentos, ideias, questionamentos sobre si mesmo e sobre o mundo; a leitura tem um papel importante nisso, pois relemos o que escrevemos para retirar das palavras significados importantes. Na prática, somente estas ações já possibilitam mais abertura; basta, por fim, tornar essas ações em hábitos. Em outra oportunidade, discorrei mais profundamente sobre tal prática.

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