25 de Dezembro
Foto de  Toa Heftiba  em  Unsplash

Foto de Toa Heftiba em Unsplash

‘Que há n’este dia chamado Natal? ‘Que há que não pode haver n’outro dia qualquer? ‘Que há n’estes rostos d’expressa ledice? É como se a figura viesse tocar-lhes a aldrava p’ra lhes oferecer uma benção. Mas quem é a figura? A imagem e semelhança; ‘que há n’este ser jamais compreendido, ou visto aquém da quimera?

Qu’extravagante maneira de adorar um santo; ou seria outro termo? Aos que almejam seu manto, andam por agora rezando ao décimo terceiro.

‘Que há n’estas comemorações reluzentes? Glória à água feita de caramelo em negrume efervescente? P’ra quê reunir tod’essa gente? A morte n’um prato sugere que há doença d’espírito e eu m’intrigo, pois, debaixo d’este ápice veranil, ouço canções d’inverno! Diz-me d’onde vem tal ato histérico?

‘Que há em todos que não uma loucura coletiva, quiçá, inconsciente? ‘Que há que não há também e’meu ser e mente? D’onde vem tod’essa fúria escarlate? Compras infindas e de sentido desprovidas; diz-me alguém do que se trata o disparate? Sei somente que tod’o meu esforço and’a sufocar-me, pois que alma nenhuma m’explica: ‘Que há de tão especial n’este dia?

Ouvi que diz a lenda; ouvi que diz a bíblia; ouvi que diz a tradição e ouvi até mesmo a revelação de que tod’essa manifestação é laurel às frutas cristalizadas. Pois então ‘que há n’este Panetone e ‘que há n’estas risadas? Corpos de semblantes insones arrumados para ficar em casa! Revelem-me antes d’alvorada: ‘Que há n’este dia regado à cálidas lufadas? Chuvosa noite de véspera ao ritual que me faz agonizar diante à questão crucial: ‘Que há n’este dia chamado Natal?

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