Sabiá
 Foto de  Benjamin Balázs  em  Unsplash

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Eis que teu som nasce às duas
Quando de breu o céu inunda
Eis que teu canto ressoa ruptura
Da silente noite, tarde, obscura

Mesmo solitário n’árvore fria
Tu, de trovar, jamais hesitas
Em tua una linguagem ouvida 
Dentre lares e estreitas esquinas

Acordas alguns de leve letargia
Despertas n’alguns a Poesia
E, n’outros, intensa ira pela sina
De teu livre Ser de adejo e’mestria

A tua sonância absoluta
Conta-nos qu’esta Lua
Só ao Sol dá lugar quando a tua
Glória, em etéreo Cântico, perdura

A tua sonância absoluta
Que rega tod’amargura
D’esta humanidade oclusa
Em sua própria loucura
Assim conta-nos que as perguntas
Às vezes são, apenas, perguntas

E que, por fim, a brandura
Vem de dentro, tal como
A cura.

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