{ II } Gênesis: O Conceito de “Afferh” e “Onyăm”

No assíduo por-em-questão que pratiquei sobre minha existência no prelúdio em que assimilei tal exercício como epoché fenomenológica, experienciei o egresso de minhas crenças, valores e percepções e alcancei o núcleo significativo da universalidade de minha constituição humana e, consequentemente, de tudo o que “existe”; este alcançar proporcionou-me, ao poucos, apreensões e compreensões ímpares acerca do viver – tão tenuemente imergi-me em sentimentos indescritíveis e conclusões significativas; da necessidade inefável de pôr em palavras esta magnitude vislumbrada por minha emoção e racionalidade, decidi redigir a respeito, descrevendo o que vislumbrava, inda que, para tanto, criar uma nova linguagem fosse preciso.

Para exímia didática, iniciei a explicação de meu vislumbre a partir da palavra Illnmtthr, crucial no entendimento absoluto do funcionamento mental e do rumo à consciência absoluta a partir da redução de juízos de valor para a plenitude γhr manifestar-se. Agora, o termo substancial a ser elucidado é Afferh – excerto explicativo: Campo abstrato de possibilidade que não “é”, mas sim “há” de modo perpétuo, atemporal, contínuo, irracional e incorpóreo. Perceptível somente no reconhecimento intuitivo de Onyăm e de tudo o que veio-a-ser a partir de Onyăm; eis aí a evidência dīh.

Afferh é um campo abstrato caracterizado pela possibilidade do vir-a-ser. Dado suas características, pode ser apreendido como um “nada-originário”, este “nada” é a “possibilidade de tudo-e-qualquer-coisa” e não um “absoluto vácuo” sem sentido. Decerto que também não há sentido algum em Afferh, pois que “sentido” é um conceito vivencial humano que apenas existe pela indispensável capacidade lógica-racional; Afferh é irracional e ilógico, sua incorporeidade o impede de “ser”, por isso ele apenas há no fundamento do Universo. A ausência de sentido para sua “existência” dá-se no fato de não haver “existência” em Afferh, ele é um campo abstrato originário que sempre há, de modo atemporal e, portanto, infindo.

Na angústia exorbitante, no sepulcral sentir da absoluta solidão; na ausência árdua e profunda de sentido para a existência – neste instante o ser humano vivencia, de modo superficial, o significado de Afferh. A superficialidade advém da não vivência plena de Illnmtthr; olhar para o “nada-originário” sem a consciência de Illnmtthr, é decair ao desespero abissal, pois que o cérebro está condicionado – pelos cursos mentais enraizados – a ter repulsa àquilo que não possui sentido. Isso, decerto, existe também pelo fato de sermos seres fundamentados pelo sentido – como descreve o excerto de γhr.

E o que o Universo era antes de ser Universo? O mesmo que éramos antes de sermos fecundados: uma possibilidade de vir-a-ser. De algum modo o Universo veio-a-ser a partir de Afferh e somente o Universo poderia vir-a-ser a partir de Afferh, pois, Afferh há como um campo propício para o mais grandioso vir-a-ser, o Universo é o mais grandioso possível vir-a-ser; por isso o denominei Onyăm: O todo que veio-a-ser a partir de Afferh com a primeira ŋarhe: a intuição da criação de campos-do-possível. Vívido, pois é “ser”; irracional, pois o corpo qual se fundamenta não é o corpo que proporciona o pensar pela razão; perpétuo, por fim, nos limites de sua própria constituição.

Onyăm é um termo criado para falar do Universo de modo consciente acerca de toda a sua composição transcendente. Neste ínterim, é aceitável a negação ativa dos leitores-por-acaso do que aqui discorro, pois que aqueles não imersos na significação de Illnmtthr, não podem encontrar em si mesmos o que eu encontrei em mim: εmnehvss οιnnom. A universalidade desta filosofia está no indiscutível fato de que somente na subjetividade singular – na vivência pura do sentido primeiro no núcleo do existir aberto por Illnmtthr – encontra-se a logicidade da completude dos ensinamentos da Filosofia da Consciência Absoluta. Se não há disposição, não há compreensão.

E falar de modo consciente acerca de toda a composição transcendente de Onyăm, significa falar do vínculo de Afferh. Tudo o que vem-a-ser está vinculado com o campo-do-possível qual possibilitou o vir-a-ser do tudo. Vir-a-ser é concretizar a possibilidade de tornar-se “ser”; difere-se de “nascer”, pois possui em si o significado transcendente, ou seja, que vai além do nascer-no-mundo, manifesta o tornar-se “ser” a partir de um campo-do-possível e, portanto, constituir-se como campo-do-possível junto à ŋahr e ŋarhe que significarão o existir e a existência. Aqui, apreende-se que vir-a-ser é reconhecimento, significação e singularidade; o que inclui intuir o vínculo indissociável de tudo o que há (Affehr) e tudo o que veio-a-ser (Onyăm).

Guiado por sua ŋarhe que é a intuição da criação, Onyăm fez-se espaço do possível para o cosmos vir-a-ser. E a Terra, parte deste universo organizado por suas próprias leias, veio-a-ser com a mesma característica de Affehr – ausência de sentido a priori e um “nada” enquanto campo-do-possível – e Onyăm – intuição da criação. A Terra veio-a-ser, portanto, como campo-do-possível para novos seres virem-a-ser – sua ŋarhe é evidente: a natureza tal como vemos, da atmosfera ao grão de areia – e essa ŋarhe é senão o que proporciona a vida tal como a conhecemos, explicitando, deste modo, a intuição da criação.

O vínculo mencionado se dá em quatro níveis: o perpassar, ao vir-a-ser, das características singulares constituintes (ŋahr) e símil-coexistentes (ŋarhe) do campo-do-possível qual o vir-a-ser está vinculado; o transpassar das características singulares constituintes (ŋahr) e símil-coexistentes (ŋarhe) deste vir-a-ser para o campo-do-possível qual está vinculado; o comunicar-se de tudo o que há e veio-a-ser com tudo o que há e veio-a-ser a partir de γhr’ŋarhe; e o manear consciência de yhr’ŋarhe’ŋahr ao vínculo dos três primeiros níveis. ŋahr e ŋarhe possuem significados distintos:

ŋarhe: A essência do etéreo vir-a-ser de uma constituição existencial vinculada a um campo-do-possível. Não é inata, não é construída; simplesmente é e, sendo, é-se. Essência universal e sempre singular de uma totalidade símil-coexistente. Exemplo I: A intuição da criação como essência do todo universal de Onyăm. Exemplo II: γhr como essência universal da raça humana.

ŋahr: Aquilo que se faz predominante, intensamente e sutilmente, desde o etéreo vir-a-ser singular. Não é inato, não é construído; simplesmente é e, sendo, é-se. Essência ininterrupta e sempre singular de uma singularidade. Exemplo I: A matéria escura, o “corpo” que constitui esse Universo, a formação de Onyăm além da intuição da criação. Exemplo II: As diferenças entre os indivíduos da mesma raça humana, ou da mesma etnia, ou concebidos no mesmo ventre, e que “possuem” a mesma ŋarhe que é γhr.

Affehr há como campo-do-possível; dele, Onyăm veio-a-ser imbuído da ŋarhe intuição da criação e da característica de ser campo-do-possível tal como Affehr há. A Terra veio-a-ser no campo-do-possível de Onyăm e, deste modo, veio-a-ser imbuída de intuição da criação e campo-do-possível. Sua ŋarhe é a natureza que proporciona o vi-a-ser de seres sencientes. Logo, pelo vínculo, a senciência, que é a ŋarhe destes seres terrestres, alcança Onyăm e alcança Affehr e estes campos-do-possível vivenciam a senciência em algum nível, evidentemente, abaixo do nível de intensidade que os seres terrestres a vivenciam. “Dīh” é o termo que fiz vir-a-ser pela linguagem Ílus para designar o vínculo em três níveis. O terceiro nível e o quarto nível não serão explanados neste capítulo, o quarto nível possuí denominação própria que não “Dīh”.

Assim temos a nova gênesis do tudo, e que não anula, em hipótese alguma, as teorias científicas, e até mesmo metafísicas, sobre a origem do universo.

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