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 Foto de  Kinga Cichewicz  em  Unsplash

Foto de Kinga Cichewicz em Unsplash

Desd’a’ngústia d’outrora, no pretérito imaculado pela memória, uma fissura veio-a-ser e’meu espírito. Quando na juventude bebi, sem sede, do manancial da solidão; adormeci no leito da verdade cuja essência sutil clamava: Nada. Nada. Nada. Nada.

Ainda mais antes, nos dias d’ouro bruto, onde sorriso’significavam regozijo imortal, fui cativada pel’Escrita e sentenciei-me a este único sentido capaz de assentar o vazio enraizado pelo Nada. Enraizado e’meu Ser que tanto soprava: Afeto. Afeto. Afeto. Afeto.

Desd’estes acontecimentos viscerais, tornou-se obscuro compreender o horizonte Nadificante; lapsos desnorteiam-me e já não posso com certeza dizer o que mai’s’expande e’meu núcleo: o Nada ou a Escrita.

No meio d’este cruel & delgado caos, há Poesia. Que, como lareira, aquece o inverno matinal de minhas estagnações. Nela toda solidão é conforto; todo Nada é beijo nos lábios; toda Escrita é transcender.

A esperança na integral existência que me vem de encontro como cactus, só no mais lírico eflúvio Poético está; e só no versificar hialino deste perfume é que me permito respirar.

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Texto originalmente publicado no Medium

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MediumOanna SeltenComentário