Insô(a)nia

A cruz d'autocondenação
Do estagnar me recorda:
Na noite vasta e amorfa
Sorverei d'autoescravidão;

A seiva esvairá da fresta
Entre alertas neurônios
Que insones como demônios
Velarão a condição funesta;

E no despertar possível
D'um nunca adormecer
Vive apenas a dor terrível

Irradiando, como o alvorecer,
O lume pouco aprazível
Aos olhos feridos por ver.