Não existem deuses nas terras verde-amarelas
 Foto de  sergio souza  em  Unsplash

Este é o momento em que a Sociedade se volta à bizarrice política e cada apresentação nacional desta bizarrice nos proporciona risadas, revoltas e lágrimas. A segregação que advém desta grotesca realidade é um tiro no peito da Sociedade; as pessoas começam a lutar entre si para defender sujeitos políticos que, evidentemente, estão pouco se importando com o país. Tudo fica ainda mais tétrico quando as pessoas que defendem essas figuras começam a se ofender com as acusações que se levantam contra elas e, também, voluntariamente fecham os olhos para estas acusações.

É um festa terrífica; é um horror cósmico; é a Santa Ignorância. Mas por quê? Por que esse tumulto acontece? É simples, desde a infância da Sociedade, nós, humanos, aprendemos a buscar um salvador. Antes, queríamos que a divindade pudesse nos salvar do caos humano, da responsabilidade de existir e de coexistir; agora, esperamos isso dos políticos e, na verdade, também continuamos esperando das divindades. Qualquer ente que por um instante possa soar como um alívio ao peso da existência e coexistência, imediatamente se torna digno de cega adoração, louvor e culto.

É hora de encararmos a verdade: Se há violência, a culpa é de todos nós; se há injustiça, a culpa é de todos nós; e resolver a violência e a injustiça não é tarefa de um semi-deus político, é tarefa de todos nós! Mas como poderíamos resolver a violência e a injustiça? Talvez se parássemos de ficar com o troco que o senhor do mercadinho deu errado, talvez se parássemos de educar nossos filhos à base de ameaças e violência; talvez se respeitássemos mais a individualidade do outro; talvez se questionássemos mais a nós mesmos; talvez se nos preocupássemos mais com a educação e a informação ao invés de nos preocuparmos com a vida pessoal de pessoas famosas; talvez se começássemos a buscar compreender o próximo ao invés de julgá-lo.

Cada pequeno ato nosso no cotidiano é uma razão para haver violência e injustiça. A existência de discriminação por etnia ou por gênero existe porque não sabemos compreender a singularidade do outro e estamos sempre tentando converter o outro e isso é desvalorizar a individualidade. Quando desvalorizamos a individualidade, a revolta nasce, o ódio nasce, e destes densos sentimentos nasce a violência. Não adianta esperarmos que políticos salvem a pátria do terror se nós mesmos somos, diariamente, agentes ativos de disseminação do terror.

Quando tomarmos consciência da nossa responsabilidade no caos brasileiro e entendermos que nenhum político é o deus que nos salvará, perceberemos que o melhor meio de governar o país é investindo na educação política de todo o povo, tornando-nos cada vez mais independentes do Estado, e provendo a justiça na união, na compreensão e no respeito social. Se você nunca pensou sobre isso, é hora de pensar, pois esperar que o milagre caia do céu enquanto defendemos pessoas de mal-caráter que sequer servem como bobos-da-corte, não tem sido o melhor meio de cuidar da sociedade brasileira.

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Texto originalmente publicado em NEW ORDER

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NEW ORDER, MediumOanna SeltenComentário