Resenha-me: O Enigma do Oriente

Sinopse do Livro: A trajetória de Layene, uma jovem fetichista, no universo BDSM. Seu interesse acaba por ir muito além das conversas com a Rainha Sarah, quando conhece Hassan, um Dominante enigmático, que a seduz de uma forma muito envolvente. Ao aceitar seu convite em ser sua submissa, a vida de Layene passa por uma grande transformação, que também faz com que a vida de Hassan se transforme - principalmente quando se entregam ao amor. Mas essa entrega impõe desafios a serem superados se quiserem viver seu amor de forma plena e feliz.


O Enigma do Oriente é um romance da autora Evangelyke Boni. A obra foi escrita em março de 2017 e terminada em julho do mesmo ano. A obra é composta por 36 capítulos + Nota de Esclarecimento + Epílogo + Capítulo Sobre os Personagens. É narrada em primeira pessoa, no entanto, há capítulos narrados em terceira pessoa.

Avaliação: ★★★✩✩♡

CAPA IMAGEM E EDIÇÃO: SEM INFORMAÇÕES


Resenha Crítica

A obra foi construída nos moldes da linguagem coloquial, isso significa que não é dado extrema atenção à gramática, no que se refere aos diálogos. Neles há extremidades informais como, por exemplo, gírias e descrições de risadas. A vantagem deste tipo de narração é ser capaz de transmitir a realidade do livro à realidade das pessoas no geral, sem limitações, levando-as ao interesse pela leitura do livro. A desvantagem é o impacto que as cenas causam quando descritas em linguagem informal; faz com que o livro não alcance um diferencial. E é tão importante esse diferencial para os dias atuais em que a literatura predominante se iguala, em construção, a um seriado televisivo. Por sorte, o cuidado da autora com a ortografia e com a coerência/coesão, torna o livro mais agradável de se ler e faz com que a linguagem coloquial do mesmo seja um pouco menos impactante ao leitor, principalmente porque ela ocorre apenas nos diálogos e não na narrativa principal. Levando em conta que a autora, ao escrever esta obra, desejava criar uma história de nível lendário, é de se esperar que a linguagem seja coloquial.

O cenário da obra é nacional, mais um ponto positivo para atrair leitores e para se destacar no meio literário. Os capítulos são sequenciais e bem colocados no espaço-tempo, não há conflitos na história no que se refere ao "onde, quando, como e porquê" das situações descritas. Está de acordo com o que é esperado ao ler a sinopse. A originalidade dos personagens é grande, principalmente na questão da personalidade e da realidade em que vivem. São personagens instigantes e bem delineados. Não há muita profundidade na subjetividade dos personagens, mas há o suficiente. A proposta do livro não abarcava muita narração subjetiva, então, foi satisfatório.

O enredo central é clichê, um romance clássico com direito a tudo o que é esperado diante de um romance clássico, inclusive rituais festivos; no entanto, o atrelamento com a realidade BDSM modifica o clichê romântico e divide as cenas - ora são originais, ora são clichês. O ponto positivo é que o clichê sempre atrai a maior parte do leitor comum, as pessoas buscam por casamentos, filhos, amor, paixão, amizade, fraternidade e compaixão na maioria das vezes em que selecionam um livro para ler. Levando em conta o intuito da autora, está bem evidente o seu sucesso, ela conseguiu transmitir perfeitamente aquilo que almejou desde o início da criação de sua obra. 

Evangelyke Boni parece saber do que está falando. O tema principal do romance é BDSM e este não é um tema fácil. Aliás, trata-se de um tema muito mal difundido dentro da Literatura Erótica. No que se refere ao O Enigma do Oriente, isso precisa ser parabenizado, toda a liturgia BDSM é bem descrita (nomes das práticas, negociação, cuidados, SSC, sessões), porém é, em sua maioria, descrita de modo icônico - o que pode gerar uma idealização aos leitores em relação ao universo BDSM. 

Por fim, o desfecho. Eu soube, antes de chegar nos últimos capítulos, qual seria este desfecho, ou seja, não houve muita originalidade e a previsibilidade foi grande; no entanto, para o tipo de história que se trata O Enigma do Oriente, este era o final que lhe cabia e que deveria ser escrito. Uma lenda sobrevive de personagens icônicos, rituais tradicionais (ainda que em liturgias diferenciadas) e uma moral (ensinamentos e bons costumes) que se possa difundir e ultrapassar gerações.

É uma leitura digna de ser lida por românticos assíduos, pois, cumpre o que promete; um romance romântico que recomendo principalmente para os leitores que buscam entretenimento, pois, estes, certamente se apaixonarão por Layene e Hassan. 

 

Resenha Subjetiva

Não me atraio por leituras com romance muito romântico, mas me atraio por BDSM. Sobre BDSM, a autora conseguiu realmente trazer didaticamente algumas coisas sobre a liturgia, gostei muito disso e me envolvi bastante com os detalhes, mas, por tratar do assunto de forma idealizada, acabou perdendo pontos na minha avaliação final, menos um coração . BDSM é um universo de possibilidades e de relações distintas e singulares, senti falta disso no livro, no sentido de ter consciência de que nem toda a relação BDSM é romântica.

Durante a leitura eu hesitei em prosseguir algumas vezes dado o estilo da narração, fiquei entediada e incomodada com os diálogos informais (principalmente as descrições de risadas), pois, sou daqueles leitores exigentes que buscam leituras que agregam saber, isto é, vejo a literatura como um modo de nos fazer evoluir e não uma imitação idealizada do dia a dia. Ademais, senti a questão icástica muito forte e isso também afetou a minha experiência de leitura, eu esperava algo icônico, mas, com mais sutileza. Uma estrela a menos .

O que fascina em O Enigma do Oriente são os personagens, uma imensa paixão eu nutri por eles! Uma estrela a mais! . As personalidades, o envolvimento, a entrega, o amor; isso me cativou deveras, tanto que fiquei triste por não haver mais aprofundamento diante os conflitos que vivenciaram, menos uma estrela . Há muita emoção transmitida através das cenas narradas, eu gosto de livros que me emocionam assim. Em muitos momentos lembrei de minha relação com o meu Dono e de todos os momentos que passamos. Um livro que, de fato, é bom, precisa fazer emergir a sensibilidade do leitor; O Enigma Do Oriente fez isso comigo, mais duas estrelas .

Deixo meus parabéns a autora Evangelyke Boni e afirmo que há bastante talento em suas mãos. Sei que há outros trabalhos diferentes em seu acervo, então, sugiro aos meus leitores que a visitem em sua página do Wattpad e do Facebook.


25586849_520163375019652_6372999230433710300_o.jpg

Sobre Evangelyke Boni

Evangelyke Boni é o pseudônimo de Elaine Aparecida Cardoso. Funcionária pública, formada em Administração, com pós- graduação em Gestão Pública, mãe de menina e apaixonada por literatura erótica desde a adolescência. Vive uma relação afetiva nos moldes do BDSM, oficialmente como submissa. Seu objetivo é fazer com que seus livros quebrem o ciclo da repressão na mente das pessoas que os lerem, para que finalmente vivam seus prazeres de forma plena. Ler o Enigma do Oriente

IMG_20181010_193959_421.jpg

Sobre Oanna Selten

Sou um ser insólito, através da arte escrita eu construo o significado de minha existência. Minhas produções literárias, portanto, possuem diferentes nuances – do romantismo ao erotismo, do niilismo à esperança, do amor à angústia, da vida à morte, do silêncio à poesia. Cada linha redigida pelas minhas mãos é tecida com o mais puro sentimento de fascínio e de afeto; há um envolvimento etéreo entre meu ser e a arte escrita, cada termo redigido é elegido a partir do alicerce deste tão intenso sentir. Por esta razão, por este elo verossímil, eu me mantenho viva.   Leia mais em: O Existir Ehrithyum


Quer que eu faça, gratuitamente, uma resenha como esta do seu livro? Então acesse: Projeto Qesmnesih - Resenha-me