A Essência Da Arte E Da Poesia

Iniciei a prática da pintura n’esta semana e surpreendi-me com o resultado de minha primeira obra. Decerto que ainda estou demasiadamente longe de meu objetivo que, sei, pode soar até mesmo risível, mas muito me seria agradável s’eu conseguisse chegar aos pés de Delphin Enjolras, Margarita Georgiadis, Maria Kreyn e Zdzisław Beksiński que são, atualmente, meus pintores preferidos. Eu ainda não faço curso e meus estudos são baseados em: 1) Ver, por longos minutos, detalhes das pinturas d’estes e d’outros grandes artistas; 2) Ver vídeos de artistas pintando suas obras, misturando tintas, etc. Eu uso da memória para lembrar-se de como estes artistas manuseiam os pincéis, criam paletas, fazem degradês, luzes, detalhes cruciais n’uma pintura.

“No níveo alvorecer vejo um lume tênue qu’esparge-se nas folhagens esmeraldinas. O lago é manto cristalino e, dentre o denso arvoredo, vívidas descansam as rubras fibras macias da primeira Trúfula jovem.” — Oanna Selten

Estou mesmo n’um momento de fascinação por pintura à óleo e pretendo continuar pincelando para, quem sabe, aprimorar-me pouco a pouco. O mais incrível d’esta prática, da pintura em si, é que, diferente da Escrita que acende a chama da mente, invocando milhões de ideias diferentes; a pintura me obriga a calar a racionalidade, para que eu possa me concentrar nos movimentos que farei com o pincel, pois se não me concentro, não consigo dar vida à obra. Sim, preciso me concentrar quando Escrevo, no entanto, trata-se de outro tipo de concentração.

Depois de muito tentar, finalmente encontrei algo para emudecer um pouco a minha mente conturbada. É um achado! A Poesia do silêncio na ponta de um pincel; a Poesia da serenidade nas tintas e no óleo que brilha aos olhos e cativa; a Poesia de visualmente transportar-me para outra dimensão e, nela, estou olhando pela janela e vendo a cena qual cromatizo. É uma sensação aprazível; similar à escrita manuscrita, mas com o atrativo das cores, das cenas, da imagem em si fora da mente, de certa forma externa, tangível.

Sem dúvida, as artes completam nossa humanidade; a Escrita me possibilita ir além, transcender, alcançar o inalcançável; a pintura, ajuda-me a aquietar, serenizar, acalmar a veemência e cultivar a conexão de minha própria essência, em silêncio, tranquilidade; a música desperta, emociona, cativa, movimenta o corpo, faz-nos reviver e projetar paixões, relações, intimidades. E se todas as artes estão juntas, ainda melhor, ouvir uma boa música durante a pintura ou a Escrita; escrever sobre a pintura, pintar a música enquanto escreve; mil abstrações, envolvimentos, tudo para dar sentido à fósmea existência e, claro, para você pode ser completamente diferente disso, pois cada um tem sua forma única de se entrelaçar à arte.

A Arte E A Poesia não seguem formas, elas não são moldes, tampouco são oceanos de regras; a Arte e a Poesia são sentidos, significações; você pode estudar técnicas e, decerto, você conseguirá aprender e ser um dos melhores; mas, não importa; o que de fato é relevante é viver a vida intensamente, sentir a Poesia pulsando na veia; fazer Arte autêntica que instigue, provoque, emocione, vincule. Lembrem-se dos ensinamentos da Sociedade dos Poetas Mortos!

“Colha seus botões de rosas enquanto você pode,
O velho tempo ainda está voando;
E essa mesma flor que hoje sorri,
amanhã estará morrendo.” — Robert Herrick

Eu espero pintar outros quadros e transmitir por meio deles todo esse multiverso que há e’meu ser, toda essa Poesia que exala dos poros de minha pele; toda a fantasia, todos os sonhos e toda a inesgotável paixão que me preenche.

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