Nua Rosa — Soneto Dedicado II
 Delphin Enjolras — Nu allongé à la rose

Delphin Enjolras — Nu allongé à la rose

Nos cumes franceses
Há de se apreender
Dançável a verter
De Delphin à Monet

Toda lascívia dela
Graça em venustidade
Florida à liberdade
Na chama d’uma vela

Enclausurand’o seu olhar
Riso em frescor a brilhar
Soando infindas aquarelas

Como faço p’ra me contentar
Em sua perfeição observar
Só detrás d’esta tenra tela?

~

Delphin Enjolras foi um pintor francês cujo trabalho era caracterizado por marcantes contornos, em aquarela e óleo, geralmente retratando cenas quotidianas. Muitas dessas cenas tinham como protagonistas mulheres de excelsas belezas; essas mulheres foram eternizadas nuas, cingidas por flores, tecidos ou quentes luzes tenras, nas telas de Enjolras.

É de uma sublimidade indescritível toda a sutileza e intensidade feminil que Enjolras pintara em suas obras. Apreendo nelas uma essência de liberdade e autenticidade de ser que muito me fascina. O erotismo é particularmente o cerne de suas pinturas; Enjolras traduz momentos simplórios em sensualidade verossímil e natural; certamente seus olhos eram raros e sua capacidade enquanto pintor transcendia o dom. Por esta razão que o escolhi para inspirar-me o segundo Soneto da coletânea Sonetos Dedicados de Sonetos Ausentes.

~
Leia também: