Poetas Mal-Ditos
 Cabanel Alexandre

Cabanel Alexandre

O mundo mal-diz vossas vidas
Sois mal-ditos, pois que sois Poetas
Vociferais vossos versos verossímeis
No imo despontados como planta-hera

Sois mal-ditos, pois que sois Poetas 
Tuas essências de etéreos sentimentos
São as unas verdades d’alma humana
Intangível aos mundanos elementos

E’stes assim mal-dizem vós, Poetas,
Ao colidirem na miserável existência
Frívolos como poeira n’artic’água
À esmos no arvoredo d’abstinência

Sois mal-ditos, pois que sois, Poetas,
Os mais vívidos n’esta realidade
Os loucos, os perdidos, os inquietos
Os que significam a’nfemeridade

Eis vosso valor, deixais vos mal-dizerem
Hão de falar, d’este modo, eviterno
Ascendendo, contínuo, vossos seres
Dizendo — Lembra, os subalternos,

Os loucos, os perdidos, os inquietos — 
E dirão — Be’me lembro… que’me dera
Confesso, no íntimo, e juro,
Queria, só um pouco, ser Poeta.

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Medium, OecihenOanna SeltenComentário