Estigma

 Edvard Munch - The Day After, 1894-95

Edvard Munch - The Day After, 1894-95

Do céu a lânguid'água cintila na escuridão
Similar à incontáveis estrelas em quedas
Ouço e observo detrás de minhas janelas
E bate ardente e’meus umbrais um vento vão
Como se um mistério viesse revelar

Pois que a natureza d’este caos sereno
Que circunda todo haver terrestre  
E circunda todo haver além-orbe rupestre
São infindos e incontáveis segredos
Que em Noites obscuras bem sabemos indagar;

Adormeço, e o dia nasce junto aos anjos
Ruído humano logo vem me perturbar
O firmamento é níveo e reluz sem cessar
E tod’esta otimista energia de tantos
Pesam como mil cruzes em meus ombros

Mantos de seda contentes, regurgitam fé
Pessoa por pessoa no análogo supérfluo haver
Imergem meu abismo em luz a temer
Que a cegueira, como a deles, leve-me na maré
Ond’ignorar é a única Marca em tod’o rosto.

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