Pélago

Solidão d'estas entranhas,
Vísceras feitas de abismo,
Sangue rubro e precipício,
Escuridão que acompanha;

Cérebro em densa melancolia,
Globos oculares fixando vazios,
Da garganta esvaem vocíferos
Íntimos de una misantropia;

Poros d'uma cútis já noturna
E órgãos eivados de tormento,
Sinapses em absurda penumbra

De modo que já não exista alento
Pois que este não mais é fortuna
Ao espírito que jaz em si mesmo.