Que Seja

Qu’estas flores continuem exalando
Inda que, apressada, eu não sinta

Qu’estes caminhos instiguem-me
Mesmo feitos de rochas pontiagudas

Que amar, sem dúvida, seja opção primeira
Inda que o outrora tenha deixado fissuras

Que eu seja capaz de ver-me no espelho
Através da pele adornada pela culpa

Que o amanhã nasça mais uma vez
Quando eu estiver ciente de sua ilusão

Que as lágrimas despenquem com fervor
Mesmo que o mundo as queira aprisionar

Que os astros continuem reluzindo 
Mesmo que me façam sentir pequenez

Que eu queira viver mais um dia
Mesmo que a dor esteja insuportável

Que o dia seja vivível o suficiente
Para dar sentido às minhas dúvidas

Que eu não esqueça de contagiar-me
Quando a alegria vier ao meu encontro

Que tudo isso tenha valor agora
E não depois do fim

Que existir seja verossímil
Que seja autêntico
Que seja límpido
Que seja aprazível

Que seja.

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Obra originalmente publicada pela Fazia Poesia

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