Soneto d'Ausência

Densa chuva do céu cinéreo
Caindo n’estes mil telhados
É noite, o vento frio enlaço
E’meu pálido corpo estéril;

Sozinha como estou sempre
Às paredes proferindo fel
Bebo sôfrega meu próprio mel
Morto, infértil, dependente;

Não sou lida ou compreendida
Depositária de justificativas
Mais uma humana imprestável

Até est’água vinda de cima
Em naturalidade instintiva
Desviou-se de meu ser miserável.

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