Soneto Oposto
 Foto de  Quinten de Graaf  em  Unsplash

Foto de Quinten de Graaf em Unsplash

Triste sabor de amargor no intrínseco
Ai de quem fale d’esta dor-hospício
N’este mundo que venera alegria

D’alegria almejo apenas o resquício
E na verdade é tudo tão fictício
Que até est’angústia dá-me apatia

Há, ainda, nesta oca umbria,
O vislumbre de ser-me assaz propício
P’r’auferir mil pélagos de exício
Aos letárgicos versos desta poesia;

Enquanto da névoa emerge a sina
Do simulacro de meu corpo-suplício 
Desunindo o chão para o precipício
Encarnar a minha eterna ruína.

~

Obra originalmente publicada pela Fazia Poesia | Obra da coletânea Sonetos Ausentes

~