Ínferos III VI - Soneto Oposto I

Atro manto espesso em tod’atmosfera
Licor d’aflição d’uma tênue quimera
Símil aos tormentos do plan’onírico;

Tétrica ruína que árdua m’infesta,
A sazão empedernida não espera
Emergir a trégua e’meu trist’espírito;

Sobrevêm o inóspito álgido em fúria
E do ventre a seiva retoma a aliança
Entre o averno e o riso que m’entrança
Em pandemônio lôbrego e penúria;

Irrompo fulgores p’ra permanecer
Nest’estado pungente que consterna
Pois qu’e’meu cerne assim opera
A inominável besta do escurecer.