A Veraz Face

Daniel Murtagh — Kate

Daniel Murtagh — Kate

Preocupo-me com quem estou me tornando; esta aura já amarga, este sopro de vida circunspecta; na fronte o que há de mais austero e no sorriso uma sombra ríspida d’intenso niilismo que, sei muito bem, nunca me deixou o âmago; ambas prevalecem.

Preocupo-me, pois, me ausento de meu próprio eu; sinto o gosto do abismo. E se, n’esta comunhão de tão etérea indiferença, há esperança, então ela veste os trajes do silêncio transparente e sepulcral. Lá, acima, dizem que há um deus.

Tudo o que me transpassa as retinas, porém, é escuridão; a mesma das cerradas matas; e dos vermes acéfalos; e dos horrores humanos; e dos venenos ácidos. Nem a morte alcança o tom de escuridão que alcança meus olhos; meus olhos e a existência.

Sozinha sei quem sou e se resta-me, algures, resquícios de fé; é, pois, que tenho um uno sonho, este de ser amada n’este precipício d’esta alma que não tenho.

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