Gratidão

Francis Borgia Helping a Dying Impenitent - Francisco de Goya (1746–1828), cerca de 1788.

Francis Borgia Helping a Dying Impenitent - Francisco de Goya (1746–1828), cerca de 1788.

Eis que a gratidão fez-se como prisma admirável
Ora, eu que nunca a vi demasiado
Vislumbro seu constante manifestar-se
E tremo diante dela, pois que sua graça
É vazia e vasta em etéreo nada
Quantos são os que falam “seja grato”
Aludindo: “Gratidão, ó gratidão”
E nos dias tão anfêmeros 
São este oceano de fingimento
Pois a única coisa que bem sabem
É a graça de seus próprios egos fartos
E se escondem detrás da “gratidão”
Que nunca de fato conheceram.

Gratidão? Não, muito obrigado.
Não me junto às “boas vibrações”
Pois que elas só alcançam os abastados
E eu que vim da fome e da desgraça
Sei que essa gratidão é utopia
Que o belo sol de cada dia
Nunca foi Deus sorrindo aos miseráveis.

Gratidão real é o silêncio
Contemplado de significado
Jamais refletido em espelhos
Nunca pregado em auto-ajuda
Bem longe da beleza-pinterest.

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