Capítulo Quattuordecim

Frente ao alcácer de ØĒHZĨÐ, sou submergido na lembrança. À esquerda, em nímia extravagância, o símbolo de Affnae n’um adro pouco sutil.

— Mestre? É lá que iremos? – indaga Sublime ao ver-me fixado. Não a contei sobre Ofir, tampouco sobre cada casa de ØĒHZĨÐ. Haverá o instante adequado para cada revelação que farei.

— Não. Vamos à Insrher. Segundo adro ao lado direito. – Sublime perlustra cada um e logo visualiza Istvan se aproximando junto com sua submissa matter: Djilla.

— Saudações, Stephen. Saudações, Sublime. É um prazer tê-los aqui. Sublime, esta é Djilla, minha submissa matter. Ela te conduzirá na maior parte do tempo em que estiveres em Insrher. – Sublime me olha, sua íris demonstra instabilidade. — Djilla, leve a submissa de Stephen para conhecer a casa. Depois a direcione para o aposento respectivo, pois, Stephen aguardará por ela lá após uma reunião comigo – explica. Sublime está inquieta. Olho-a.

— Vá, familiarize-se – ordeno. Sublime sorri, tímida e infantil. Tão logo, é conduzida para longe de mim enquanto caminho junto a Istvan em direção ao seu escritório. Ao chegarmos, percebo a imagem de Looysi com seu cigarro que a veste, elegantemente, em suicídio.

Looysi: Master Stephen Knill! Há quanto tempo! Talvez, cinco anos? – Ela sorri enquanto a nuvem plúmbea contorna seu arredor.

— Suponho que Istvan tenha contado a ti mais do que o foi permitido.

Looysi: Ele contou tudo. Obviamente acredito na acusação. Ofir é baixo, é um infeliz! Um machista asqueroso! Cadê a tua menininha?

— Não é preciso muito para a certeza de que Ofir é réu.

Istvan: É... Estás mesmo determinado a acusar Ofir. Inacreditável que estejas aqui e, ainda, com tua adorável peça. – Istvan senta-se. Looysi senta-se ao lado.

Istvan: Tenho de avisá-lo que Djilla direcionará indagações à Sublime. Tais questões foram ordenadas por mim, escolhidas com cautela para que eu possa investigar o quão teu modo de dominância está em desacordo com a liturgia de Insrher. – Como eu havia suspeitado, portanto, não me impressiono.

Looysi: Esta condição é peculiar e muito, deveras, demasiadamente previsível. Quero presenciar teu espírito sob uma liturgia. – Ela gargalha em alto e agudo som enquanto olha-me.

Looysi: Eu disse à Istvan, ele deveria ter-te imposto o compartilhamento de Sublime; eu, por exemplo, adoraria experimentá-la. – Um longo silêncio se prolifera.

Istvan: Não te preocupes, nenhum indivíduo se aproximará de tua posse. Os dominantes da casa e as suas respectivas peças compreendem plenamente que Sublime é submissa do Mestre Stephen, ninguém ousará sequer olhá-la. – Redondamente risível em seu sarcasmo. Permaneço irrequieto. Ambos são como hienas.

Looysi: Ria, Stephen, seja menos inconveniente!

— Se ser inconveniente significa negar a eloquência desnecessária, então, imagino que já tenhas apreendido qual será minha escolha. – Istvan respira profundamente enquanto Looysi apenas graceja.

Istvan: Conversar é humano, Mestre Knill.

Looysi: Oh, Istvan, não te esqueças que Stephen é desumano!

Istvan: Bem, como prometido, ajudá-lo-ei com o eixo primevo de tua estadia em Insrher. Terás uma semana para ensinar o básico à sua peça. Acho adequado que, na Confraternização de Boas Vindas, apresentes tua menina a todos os dominantes que estão no controle do império ØĒHZĨÐ. Neste momento, Sublime ficará frente à Ofir. Até o dia da confraternização, ninguém, além de quem reside em Insrher, saberá que Tu estás aqui – ele profere como se soubesse o atual imo de Sublime e as consequências de fazê-la ficar frente a Ofir.

 Descreio que haverá ausência de boatos. – Entro no jogo de fazê-lo crer que eu tomarei as decisões de acordo com sua ordem.

Looysi: Sephen, ninguém contará; olhe ao redor, Ofir é odiado pela suma maioria.

— O que significa que há uma minoria.

Looysi: A Minoria vive sob o teto de Affnae, meu caro. Aliás, sabes que das sessenta e seis escravas, a Ofir resta somente dezesseis? O tolo ainda profere que terá seiscentas e sessenta e seis.

— Não me interesso pela vida deste sujeito.

Looysi: Eu sei, querido, te interessas apenas pela tua própria vida, contudo, deverias abrir tua magnânima consciência para a arte da parla d’outrem, é excitante!

Istvan: Stephen fique à vontade para deixar Looysi n’um monólogo, pois, por hora, não há mais nenhuma recomendação para dar-te. 

Looysi: Não seja em tal grau indiscreto! – Looysi se direciona à Istvan e ele apenas sorri.

Istvan: Já sabes onde fica o aposento destinado a ti e à tua posse. Qualquer ideia que queiras acrescentar para o dia da confraternização, estarei à disposição, farei o que me for possível.

Retiro-me, sigo para o aposento que me pertence, abandono a ínfima zona inautêntica – pensar que a confabulação me será exigida diariamente, traz ao paladar um acre sabor.

O quarto é tenro, indiscutivelmente medieval, da janela observo o jardim, visualizo minha submissa caminhando em companhia. Aguardo o seu retorno que não se retarda. Quando Sublime adentra o cômodo, está morrendo na atmosfera densa do enlear. Ainda assim, ajoelha-se como deve.

— Algo te foi explicado?

— Não, Mestre.

— Ótimo. – Levanto-me, seguro-a em meus braços, seu corpo está frio, com exceção das mãos. O amplexo a conforta. — Agora se sente na cama e ouça-me. – Sublime se prepara, em atenção. — Este lugar chama-se Insrher e seu imperador é Istvan Vidrač. Insrher faz parte d’uma sociedade denominada ØĒHZĨÐ; cada letra que compõe o termo ØĒHZĨÐ se refere a um imperador. Estás aqui para aprender a ideia central que os une em tal confraria, ideia esta representada pela sigla BDSM e que eu, em algum nível, estou envolvido. – Silêncio, perlustro as expressões de Sublime e, então, prossigo. — Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo, Masoquismo. Anote estes pilares, aprenderás sobre cada um deles. – Sublime levanta sua mão direita, a permito questionar.

 Djilla fez-me inúmeras perguntas, Mestre, entre elas havia uma acerca da palavra-de-segurança. Como disseste para mim na noite anterior.

 Respondeste?

— Sim... Eu disse apenas que tu havias definido uma palavra-de-segurança, mas não informei quando ou qual seria.

— Ótimo, menina, fale sempre o suficiente, nunca use a comunicação em vão. A palavra-de-segurança é base fixa e indispensável para a composição BDSM, esta que estou ensinando a ti. Sua indispensabilidade dá-se por ser, o BDSM, são, seguro e consensual. Não utilizei este meio antes contigo porque sei de minha capacidade de perceber os teus limites. – Sublime expressa apreensão em seu semblante. — Diga-me a razão de tua expressão facial ter-se imergido em desalento.

— Eu... lembrei... – Silêncio.

— Ouça-me, Sublime, terei de questioná-la sobre o ocorrido, diga-me se estás disposta a responder acerca. – Vejo-a pensar, sua cabeça se abaixa, alguns minutos decorrem.

— Confio em ti, m’a Eĕr, dir-te-ei tudo, pois, sei que estou aqui para me tornar resistente.

 Ótimo. – Olho para seu corpo, suas vestes negras, suas pernas nuas. Aproximo-me dela, toco-a burilando suas curvas: margens da geena de meu âmago. Pelo abdômen, pelos seios, com lentidão de apreciação; o pescoço, o queixo pequeno, os lábios pérola. Os seus olhos, mirados nos meus, seu ser aberto ao meu domínio. Exteriorizo, então, o que, rígido, pulsa. — Conduza-o à tua boca, louve-o com fricção. – Tomo com violência seus cabelos antes de sua obediência vir à tona. — Chupe até sorver toda a minha porra. – Mais crueldade no toque, Sublime pranteia. — Tua láurea, por dirigir-se ao teu Mestre como Eĕr e por nele confiar, será beber de sua virilidade.

Impulsiono-a ao ato incumbido. Ela suga como um faminto filhote; forço-a, impiedoso, a deixar-se ter a garganta arrombada pelo meu falo. As lágrimas caem de seus olhos, água translúcida. Afasto sua boca, a saliva dimana, Sublime respira profundamente e eu golpeio seu rosto três vezes; cada batida é uma nova energia fundamental à minha luxúria. Ela usa de suas mãos para proteger-se, no entanto, ao fitar seu deus tumefacto assestado em sua direção, não se sente capaz de rejeitá-lo; ela o devora.

Quando o sêmen se irradia, irrorando os lábios doces e abusados de minha propriedade, ela sorri encalistrada.

— Boa menina... – Sento-me à sua frente — Dir-te-ei algumas palavras e tu dirás se alguma delas foi proferida durante o ocorrido. – Sublime consente. — Submissa... – Pronuncio e ela contrai-se — Escrava... – Seus olhos piscam inúmeras vezes — Flogger... – Não há reação — Cane... – Sublime prensa suas pálpebras, abaixa a cabeça, entrelaça os dedos das mãos e aumenta o ritmo de sua respiração. — Golden shower... – Apreensão — Spanking...

— Osciam... – ela profere e, em seguida, inicia um fraco choro. Está mais que explícito que o ascáride maldito que a estuprou, está envolvido ao meio BDSM. Muito antes já me era absoluto este fato, os estigmas na cútis de minha posse davam-me certezas. Agora, em cada palavra, especificamente “cane” e “spanking” fizeram Sublime arder de angústia, tanto que teve de usar sua palavra-de-segurança.

— Quantos eram?

 Três... – Sua voz oscila. Vejo-a esforçar-se para se manter incólume, ainda que a reminiscência a assole.

— Algum nome proferido?

— Apenas... o líder... autodenominou-se... – Silêncio. Ela não conseguia proferir. Visualizei seus movimentos, ela começou a escrever em um papel o nome que não conseguia pronunciar. Entregou-me. O nome era Forsihar. — E ele... ele te conhecia, Mestre.

 Claro... – levanto-me e caminho, impaciente, pelo quarto. — Claro que me conhece! Ele tentou convencer-te a odiar-me? Esforçou-se a compenetrar-te da minha atrocidade semelhante, quiçá superior, a dele? – Sublime fica imóvel, a fala não verbal é suficiente. Respiro para reaver o autocontrole. — O BDSM é são, seguro e consensual. Nunca te esqueças disto. 

— Como sabes que ele... O que esse lugar tem a ver... – Silêncio — Tu sabes quem é Forsihar? – interpele Sublime, confusa, com seus olhos firmes aos meus.

SublimeOanna SeltenComentário